
Coluna de Toninho Hinz – Opinião
Há mais de um século, o país vive uma guerra silenciosa — sem bombas, mas com infiltração, aparelhamento, dependência social e erosão moral.
Publicado em: 18 de outubro de 2025
✍️ Por Toninho Hinz
As grandes guerras deixaram ruínas visíveis; o Brasil enfrenta um tipo diferente de destruição — discreta, ideológica e persistente.
Críticos afirmam que, desde o início do século 20, o país vem sendo palco de um projeto de poder de longo prazo, sustentado por narrativas que prometem igualdade, mas acabam enfraquecendo as bases do mérito, da produtividade e da responsabilidade individual.
Enquanto o mundo se reconstruía das tragédias das Guerras Mundiais, o Brasil iniciava um processo silencioso de reconfiguração institucional.
Não houve invasão externa, mas infiltração interna — nas universidades, nas redações, nos tribunais e no próprio Estado.
Com o passar das décadas, a disputa ideológica travestiu-se de política pública, convertendo causas legítimas em instrumentos de poder.
A consolidação desse processo se deu nas últimas décadas, quando a militância ideológica chegou ao centro do poder.
Críticos apontam que o Estado foi sendo gradualmente transformado em um mecanismo de autossustentação, onde a retórica da “justiça social” encobre práticas de aparelhamento, favorecimento e autopreservação.
O resultado é um desequilíbrio estrutural: Executivo, Legislativo e Judiciário agindo sob a mesma lógica — a da manutenção de poder, e não da defesa do interesse público.
Sem tanques ou golpes, mas por meio de decretos, interpretações jurídicas e narrativas cuidadosamente elaboradas, o país foi sendo corroído por dentro.
Nenhum projeto ideológico se sustenta sem dominar o campo da educação.
E foi ali que a batalha cultural mais avançou.
A pedagogia de Paulo Freire, com sua “Pedagogia do Oprimido” e a ideia de “conscientização”, tornou-se referência no ensino brasileiro.
Sob o argumento de libertar o aluno, o foco do aprendizado deslocou-se do conhecimento técnico e científico para uma formação de cunho político e militante.
Para muitos analistas, essa “longa marcha” pela educação foi a mais eficaz das estratégias: em vez de impor ideias pela força, moldou-se o pensamento das novas gerações, assegurando a perpetuação cultural do projeto.
A vitória, nesse caso, não depende de votos — depende de mentes.
Outro fator importante, e muitas vezes negligenciado, é o uso das políticas de benefícios sociais como instrumento de dependência e controle político.
Ao longo das últimas décadas, programas concebidos para combater a pobreza acabaram, em muitos casos, desestimulando o crescimento pessoal e profissional dos beneficiários, criando um ciclo de dependência difícil de romper.
Em vez de servir como pontes para a autonomia, essas políticas se tornaram bases de sustentação eleitoral.
O resultado é um país em que a carga tributária recai sobre a parcela produtiva da população — trabalhadores, empreendedores e empresas —, que sustentam o Estado enquanto uma minoria depende dele.
Para críticos, esse é um dos aspectos mais graves da degradação nacional: a substituição da cultura do esforço pela cultura da dependência.
As Guerras Mundiais duraram menos de dez anos; o projeto ideológico brasileiro já atravessa um século.
O custo não é contado em ruínas ou mortos, mas em erosão moral, descrença nas instituições e enfraquecimento da responsabilidade cívica.
O inimigo não destrói de fora — age de dentro, por meio de discursos e políticas que corroem a confiança nacional.
Hoje, o país parece dividido entre quem produz e quem depende, entre quem cria e quem consome, entre quem trabalha e quem espera.
E o que está em jogo é mais do que economia: é a própria dignidade do trabalho e o valor do mérito.
Reconstruir o Brasil não exige apenas reformas institucionais — exige uma reconstrução moral.
É preciso resgatar o valor do trabalho honesto, da iniciativa e da responsabilidade.
A verdadeira transformação não virá de discursos ou subsídios, mas da consciência de que o progresso nasce do esforço individual e coletivo.
Toninho Hinz Aposentado 72 Anos é Expressador de opinião
Escreve sobre Tecnologia, política, história e cultura sob uma perspectiva crítica das ideologias contemporâneas.